Segundo a Bíblia, Deus ao criar os animais determinou que o ser humano os designasse, e o homem deu nome a todo gado, todo pássaro do céu e todo animal dos campos (cf. Gên. 2,30). Veja a importância que têm os nomes, talvez só nota da quando nos esquecemos do nome de algo e precisamos muito disso!
Tudo tem nome, aprendemos isso desde pequenos! Mas aí, entramos na escola e a primeira coisa que nunca ouvimos mais falar são dos nomes. Falam de uns tais substantivos (deve ser alguma tradição gramatical antiga, pois a palavra deriva do adjetivo latino substantivus, que quer dizer substancial; portanto, nada a ver!).
Aqui, contudo, toda vez que eu me referir a nome eu estou me referindo ao que as gramáticas tradicionais chamam substantivo e vice versa. (nome = substantivo)
Esses tais substantivos ou nomes são a classe de palavras que englobam tudo que tem nome: pessoas (Alexandre), instituições (Ordem DeMolay), grupos (alcateia), indivíduos (professor), lugares (escola), seres espirituais (fantasma) ou mitológicos (saci), assim como ações (correria), estados (cansaço), qualidades (honestidade), sensações (calor), sentimentos (amor) etc.
Os nomes são muito especiais para a língua e têm um conjunto de palavras que os seguem. Há classes de palavras que ou os acompanham ou os substituem, é o grupo nominal. Pertencem a esse grupo: artigos, numerais, adjetivos, pronomes.
Os artigos formam uma classe de palavras que acompanham o nome e que têm a função básica de generalizar (artigos indefinidos) ou particularizar (artigos definidos) o sentido de um nome, assim como, em certos casos, definir seu gênero (feminino ou masculino) ou número (singular ou plural).
Assim, constituem duas classes:
| | Artigos indefinidos | Artigos definidos | ||
| | Singular | Plural | Singular | Plural |
| Masculino | um | uns | o | os |
| Feminino | uma | umas | a | as |
Os artigos indefinidos têm a função de generalizar um determinado nome. Quando se diz um carro, queremos tratar de algum carro em geral. Os artigos definidos particularizam o nome. Assim, o carro é algo específico, conhecido.
A função de definição do gênero ou número de um nome, as vezes parece ser muito simples. No entanto, nem sempre é assim.
No caso dos substantivos comuns de dois gêneros (nomes cuja diferenciação de gênero só pode ser feita pelo artigo, numeral ou adjetivo que o acompanha), por exemplo, eles é que fazem a diferenciação: o/a dentista, o/a gerente, o/a jornalista, etc.
Além desses, há o caso dos homônimos homógrafos (palavras com mesmas pronúncia e escrita): o cabeça (= o chefe), a cabeça (= parte do corpo humano); o moral (=ânimo), a moral (=conjunto de valores); o grama (= unidade de massa), a grama (= relva) etc.
Por fim, deve-se destacar dois casos de plural que só são definidos pelos artigos, numerais ou adjetivos que os acompanham:
1. Nomes com final em –x (que não tenham variante em –ce): o/os tórax, o/os clímax etc. (o códex/códice, os códices; o cálix/cálice, os cálices etc); e
2. Os seguintes nomes compostos: o/os bota-fora, o/os topa-tudo, o/os louva-a-deus, o/os diz-que-diz, o/os faz-de-conta, o/os arco-íris, o/os salva-vidas, o/os pisa-mansinho.
Por fim, é necessário lembrar que os artigos podem estar “disfarçados” em formas contraídas com preposições:
a+ art.: ao/à/aos/às;
de+art.: do/da/dos/das/dum/duma/duns/dumas;
em+art.: no/na/nos/nas/num/numa/nuns/numas; e
por+art.: pelo/pela/pelos/pelas.
Os numerais são a classe dos números, ou os nomeiam (nesse caso seriam um tipo especial de substantivo) ou os qualificam (aqui, um tipo especial de adjetivo).
Podem ser: cardinais, que dão nome aos algarismos (1-um/uma, 2-dois/duas, 3-três etc.); ordinais, que indicam posição/ordem (1º - primeiro/a, 2º - segundo/a, 3º - terceiro/a etc.); fracionários, que nomeiam ou indicam frações (1/2 – meio/metade, 1/3 – um terço, 15/16 – quinze dezesseis avos etc.); ou multiplicativos, que se referem a quantidades multiplicativas (dobro, triplo, quádruplo etc.).
Os adjetivos são palavras que qualificam os nomes. Assim, bom, representativo, feliz, capaz são todos adjetivos. Eles sempre acompanham o substantivo de forma direta ou qualificativa (bom rapaz, casa bonita etc.) ou de forma predicativa (O carro é bom, onde bom é o predicativo do sujeito carro; Considero inexequível o projeto proposto, em que inexequível é o predicativo do objeto direto o projeto proposto).
Na próxima lição, veremos os pronomes e virão mais exercícios!
Abraços.
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